domingo, maio 21, 2006

Céu.. aos poucos



"Só hoje senti
Que o rumo a seguir
Levava pra longe"

Esta é uma letra para qualquer altura mas especialmente para este tempo pascal.
É este o sentimento marcante do momento. Depois do deserto algo surje, que faz sentir que há um longe para onde levar. Não é um distante vazio, mas um longe para ir.
A morte, que antes era o fim, agora é o princípio. As mortes, que antes eram o fim e a perda, agora são o início e o nascer de um novo modo, o mitigar de limitações e incapacidades.

"Não sei o que vem a seguir
Mas quero procurar"

E o sentimento é tão forte que, apesar das dúvidas e do medo, a confiança fica por cima. O exemplo da liberdade interior, exteriorizada na força e na coragem da entrega, provocam uma vontade de seguir e ir ao encontro que transcende os próprios limites.

"E hoje deixei
De tentar erguer
Os planos de sempre"

E para seguir muita coisa fica para trás, morre também. Porque esta morte quebra a monotonia do que sempre foi, acaba com o que já é.

"Pra outro amanhã
Que há-de ser diferente"

Para dar lugar ao que vair ser. Para que a estabilidade possa ser dinâmica e progressiva. É esta morte que vai fazer diferença, porque conduz a mais vida.

"E há qualquer coisa a nascer
Bem dentro no fundo de mim
E há uma força a vencer
Qualquer outro fim"

É hoje, é neste tempo da páscoa, é todos os dias. Não tenho dúvidas na Sua ressurreição, sinto-a dentro de mim. Sinto que não há qualquer fim se eu me deixar conduzir por esta força.



obrigado Jesus por dares vida à morte
obrigado Mafalda por deixares correr em ti a seiva do tronco que faz dar
frutos como esta música